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'You're poison running through my veins,
You're poison,I don't wanna break these chains
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"O Quarto Indiscreto"
terça-feira, 9 de março de 2010, 01:35
Cheguei ao quarto de hotel, estava exausto, o dia tinha sido longo entre reuniões e negócios que poderiam decidir o futuro de imensas pessoas. Precisava de descansar, pensar.Estava bastante tenso e ao entrar no quarto de hotel iluminado mas abafado senti o mundo a desabar aos meus pés. O quarto era de tamanho médio, com uma cama de casal no centro, lençóis de caxemira azuis e tapetes felpudos que realçavam a beleza do quarto. As cortinas eram brancas como a neve e havia uma pequena cómoda encostada a parede mesmo em frente a cama. O sol entrava com grande intensidade pela janela. Alonguei-me na cama, melancolicamente, com o olhar parado a observar o candeeiro de lustro no tecto, estava prestes a adormecer quando subitamente começo a escutar vozes que pareciam vir do quarto vizinho. De inicio, as vozes não passavam de sons abafados, não prestei atenção e continuei o meu descanso, quando de repente ouço o meu nome . Uns suores frios percorreram o meu corpo. Levantei-me de ressalto e encostei a minha pequena orelha a parede, e prestei bastante atenção a qualquer palavra que pudesse ser dita. Percebi então que a conversa era entre dois homens, um possuía a voz mais grave que o outro e pôde-se ouvir o seguinte: - Ele…quarto ao…porta..chave contigo? -Sim …. Não conseguia perceber metade das palavras, ocorreu-me então pegar num copo que estava na mesinha de cabeceira perto da cama e cola-lo contra a parede para ouvir melhor a conversa que me estava a deixar muito curioso. Sucesso , conseguia ouvir na perfeição: -Então já sabe o que tem a fazer rapaz, mãos a obra! E lembre-se que deve ser discreto, não quero que ninguém saiba nem comente aqui no hotel e depois limpe caso haja sangue no chão – disse o individuo num tom decidido. -Sim senhor. E pararam de conversar. Ouvi o barulho de uma porta a fechar. Foi então que tudo fez sentido para mim, tratava-se de uma conspiração contra mim. Tinha de agir depressa. Estava em pânico, caminhava de lado para lado em passos largos, as minhas mãos tremiam. Estava todo suado, o meu coração batia a um ritmo impressionante. Dirigi-me a janela para tentar encontrar uma saída mas era impossível, estava no 13º andar, conseguia ver as pessoas em ponto pequeno e os carros pareciam baratas tontas, mas a brisa de ar fresco acalmou-me ligeiramente. Voltei a fechar a janela. Ouvia passos em direcção a minha porta. Ia morrer agora, provavelmente estrangulado ou com algum tipo de arma branca. Sem saber o que mais fazer , tirei uma pequena navalha da minha carteira e escondi-me debaixo da grande cama de casal no centro do quarto, foi então que voltei a ouvir as duas vozes num tom bem alto desta vez: - Então jovem? Porque demorou tanto. O homem está aqui desmaiado. Apresse-se! - Eu não estava a encontrar o estojo de primeiros socorros, vamos leva-lo para a ambulância. Faça-me só um breve resumo daquilo que sucedeu aqui - Disse a voz rapidamente. - Como já disse – balbuciou o individuo - O meu irmão Rui fez um corte profundo no dedo e desmaiou com o sangue, e ainda não acordou. Estou preocupado. -Relaxe, não há de ser grave - Disse o enfermeiro apressadamente, ouvindo - se um barulho de algo a ser arrastado, provavelmente uma maca. Após me ter apercebido de que tudo isto não passava de uma mal entendido, senti-me leve como um pássaro e voltei me a deitar-me risonho. O cansaço acabou por deixar me paranóico. Estava prestes a adormecer, quando subitamente alguém estava a tentar abrir a minha porta. Levantei-me de ressalto. |
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